7 de outubro de 2014

Ah! A Itália...!

Acho que pela primeira vez eu não senti a clássica "depressão pós-viagem ao exterior". Explico.

Assim que chego ao meu território após uma viagem ao exterior, sinto um desanimo, quase uma descrença nas coisas, pois (quase) tudo é tão organizado lá fora, as pessoas são tão educadas e, normalmente, tudo funciona como deveria, que chegar ao Brasil e ver (quase) tudo acontecendo ao contrário do que vejo lá (seja "lá" onde for) bate a famosa "depressão pós-viagem ao exterior". E pelo que converso com familiares e amigos, não é algo que acontece só comigo.

Porém, como disse, acho que foi a primeira vez que me senti bem e feliz por estar de volta, mesmo com todos os problemas que temos por aqui: desigualdades, falta de educação (em todos os sentidos que isso possa abranger), insegurança. Às vezes (e acho que isso tem haver com maturidade), a gente se pega sonhando demais, ou melhor, criando demais as coisas na nossa cabeça, como se a grama do vizinho sempre fosse mais verde e seus animais mais gordos. Só que não é bem por ai. Na real? A gente tem a severa mania de olhar demais para fora e quase nada para dentro.

Tenho saúde, uma família - incluindo animais de estimação (gordos, rs) - e bons amigos. Tenho a oportunidade de poder fazer o que gosto, seja de lazer, seja a trabalho. Tenho a chance de vez ou outra conhecer lugares bacanas. Tenho a sorte de, de tempos em tempos, realizar os meus sonhos. Alias, tenho entendido que a palavra "sorte" tem um significado bem diferente do que eu imaginava há algum tempo atrás. Sorte não é algo que acontece de forma aleatória na vida da gente; sorte é aquilo que conquistamos, quando de fatos devemos conquistar. Não basta só esforço e persistência, tem que ter "sorte". Não é lá muito simples de entender, mas a sua "sorte" é você quem faz.

Tive a "sorte" de retornar à Itália recentemente, para realizar um sonho que tinha: fazer umas exposição de fotografia no exterior. Não só pelo fato de levar meu trabalho para fora do país, mas por acreditar que em determinados lugares, o meu trabalho pode ser mais valorizado e compreendido do que aqui (infelizmente, esse comentário se encaixa um pouco no comentário acima sobre 'educação e valores' que existem lá fora). Com isso, passei alguns dias em um dos lugares que mais amo nesse mundão ai (que pouco conheço, mas muito aprecio) e tive a chance de conhecer três novas cidades de lá: Arezzo, Cortona e Assis.


AREZZO

Piazza Grande


Fiquei encantada com a cidade, com as pessoas, com os monumentos, com a culinária (isso sempre, rs). Arezzo é daqueles lugares em que você anda em círculos e nem se dá conta, pois cada vez que você passa por uma rua, descobre algo diferente. A cidade, quer dizer, o Centro Histórico, é divido por "bairros" por assim dizer, já que possuem grupos que o divide a partir de suas bandeiras e portas de entrada. De carro, é fácil fácil se perder. À pé, é fácil fácil se achar.

A cidade, aparentemente, vive com pequenos eventos em suas praças e o que estava rolando nos dias que passamos lá (eu e mio marito) era uma feira chama "Il Pane", vendendo diferentes tipos de pães artesanais. Delícia! À noite, sempre tinha um showzinho de música e/ou dança para curtir também. Uma gostosura de lugar.

PS. Quer ver um pouco de Arezzo? Assista "A Vida é Bela", se tiver coragem ou não se importar de chorar baldes, caso ainda não tenha visto o filme.


CORTONA

Para o alto e avante!

Cidade onde foi filmado "Sob o Sol da Toscana" e cara... é realmente cinematográfica! Fica no alto de uma montanha e, por isso, suas ruas são beeem íngremes. Dá pra cansar bastante andando por lá, mas você nem liga, pois se sente um personagem num cenário de filme. Casas em pedra, flores para todos os lados, história em cada esquina. Impossível não amar! Tentamos antes de ir embora conhecer a casa onde foram feitas as filmagens, mas depois de vários minutos (bote 'vários' nisso) rodando de carro (pois o endereço fica fora do Centro Histórico), desistimos. Nem o GPS encontrou! Uma pena...

Em Cortona, passamos apenas o dia e admito que fiquei morrendo de vontade de ficar pelo menos uma noite lá, para ver a cidade vazia, suas ruas pouco iluminadas e sentindo o ventinho frio da montanha. Ai, ai... (suspiros).


ASSIS

Vista da Basílica de Santa Clara

Dos lugares mais bonitos que eu já conheci, tipo, Top 5 'Mundo' até agora. É simplesmente inacreditável: casas de pedra perfeitamente colocadas em seus devidos lugares para você admirar e babar a cada curva que faz. A Basílica de São Francisco por si só já vale a visita: um verdade desbunde de arte, história e beleza. Linda demais!

Em Assis, conhecemos restaurantes incríveis e, claro, com vistas de tirar o fôlego! Na verdade, acho que nem precisava da comida, já me sentia completamente saciada com tamanha beleza de paisagem, rs (mas a comida valeu cada garfada!).

Não sou das pessoas mais religiosas que conheço, mas a cidade tem uma 'aura' religiosa que te faz sentir bem, te traz uma plenitude que outros lugares não tem. Pessoas incríveis, lugares lindos, paisagens fantásticas. Feliz foi São Francisco, que teve a oportunidade e a "sorte" de viver e se tornar quem foi por lá.


Piazzale Michelangelo

Fora essa 3 cidades encantadoras, sempre tem Florença (lugar onde realizei minha exposição, by the way), que não cansa de me surpreender. Foi minha 3a visita à cidade e foi a 3a vez que me apaixonei por ela. Quantas vezes eu for, tantas vezes vou me apaixonar. Ela é tão cheia quanto Roma (que amo), mas como é bem menor em proporções (seu Centro Histórico), parece estar constantemente lotada. Ainda assim, é um lugar incrível, que exala história e beleza a cada metro quadrado e te envolve, fazendo você querer voltar no passado e conhecer os grande nomes que passaram por lá: Brunelleschi, Ghiberti, Masaccio, Donatello... e por ai vai, só citando alguns 'por baixo' (que heresia minha escrever 'por baixo', rs). Impossível, mas impossível MESMO não perder ganhar um bom tempo admirando o Duomo e tudo o que veio depois (e graças) a ele e sua engenharia. Maravilhoso. Sensacional. Sublime.


Bom, depois de todo o meu discurso apaixonado pela Itália, me despeço, desejando a mim e a você ainda mais de "sorte" para os dias que virão. Aproveite!


Baci!


16 de julho de 2014

Sobre o Brasil e a Copa

Com o fim da Copa do Mundo no Brasil, só me resta falar de... Copa do Mundo no Brasil. Rs.

Estou desde a semana passada querendo 'dissertar', rs, sobre o assunto e sobre algumas conclusões que tirei após o mundial de futebol, mais especificamente, sobre a Seleção Brasileira.

Foi chocante ver a passividade da Seleção em campo naquele fatídico jogo contra a Alemanha, no dia  8 de julho (huuum... dia 8... somando os gols... rs) e certamente ninguém vivo irá esquecer desse jogo enquanto respirar. Enfim, até agora, está todo mundo tentando entender e especulando sobre, né.

Na verdade, na verdade, o que eu queria mesmo era fazer um paralelo sobre a Seleção e o Brasil. Sim, o país Brasil mesmo. Me acompanhe, vamos lá, vou tentar me fazer entender.

A Seleção Brasileira tem grandes nomes, grandes talentos individuais.  No Brasil não é diferente. O problema é que essas grandes 'crias da casa' não ficam nem na Seleção, nem no país; na primeira oportunidade, o que os grandes querem é sair do grande país em tamanho e pequeno país em desenvolvimento (eu sou uma dessas pessoas, que gostaria de dar no pé, mas ainda não encontrou o 'como'). Vai dizer que não: o jogador sonha em jogar no exterior; o trabalhador quer conquistar carreira internacional. É ou não é basicamente a mesma coisa? Assim, os grandes talentos não conseguem trabalhar em equipe aqui e ganhar força juntos, pois seus talentos individuais se vão nos assentos de aviões.

Outra característica bem comparável é a forma de se lidar com os problemas e contratempos. A Seleção Brasileira tem a grande mania de achar que um pequeno esforço resolve, que um gol define partida aos 3 minutos iniciais de jogo, que defesa é coisa boba e que o que vale é o ataque. Não lhe parece familiar? O Brasil (leia-se: brasileiros) acha que fazer o mínimo está ok, que resolver o seu lado e pronto é normal, que defesa é coisa boba e que o que vale é o ataque (opa! Olha ai!) ou o famoso 'o problema não está comigo, está com o fulano, que...'. Nós brasileiros sempre temos o bom (pra quem?!) e velho "jeitinho" de fazer as coisas e resolver os problemas e achamos que assim o país vai andar pra frente. Nada disso: o que pode até andar é o 'individual' e não o 'coletivo'. Anda o trabalho de um, resolve o pepino de outro, ou pior, posterga qualquer uma das opções anteriores, o que é bem comum, by the way

Uma terceira coisa em comum é que a Seleção tem muitos problemas técnicos e administrativos, mas as pessoas tem um grande coração e são muito gente boa, ídolos de muitas gerações. Huuum... gente boa... povo alegre e gente boa... sei, uh-hum... É legal ser gente boa, mas só ser gente boa não resolve muita coisa, até ajuda, claro, mas não resolve. Samba e cervejinha também não (é bom, mas não resolve NADA).  O que se precisa pra Seleção e pro país é planejamento de longo prazo, assim como  nos deu exemplo a Alemanha (país e Seleção): passou perrengue ao longo de sua história (criou perrengue pra muita gente também, né...) e se reergueu; passou perrengue com a equipe de futebol e ao longo de 10 anos se reestruturou e conquistou o topo. País ou Seleção, todas as conquistas foram fruto de um longo tempo de trabalho. (Às vezes, eu tenho a sensação de que, pelo simples fato do país nunca ter passado por um perrengue que atingisse o território inteiro, todas as classes e não só as menos abastadas - tipo uma guerra, como é o caso das grandes potências mundiais - somos meio imaturos enquanto nação, meio infantis mesmo e que não sabemos lidar com adversidade).

Enfim, não dá pra criticar a Seleção sem criticar à nós mesmos enquanto país. A nossa Seleção é a imagem e semelhança do Brasil e se não mudarmos em ambos os casos desde já continuará sendo assim: um país em 'desenvolvimento' e um bando de bebês chorões. 


Beijos e bola pra frente, que o gol tá lá!

26 de maio de 2014

O Tempo que Passa

Semana passada, a minha avó deu um susto danado na família: levou um tombo e, em função disso, descobriu que tinha tido um AVC leve algum tempo antes da queda. Ela está com 79 anos, por menos que pareça para quem convive com ela. Não é fácil receber uma notícia dessa por telefone; passei o fim de semana inteiro meio lerda, meio pensativa. Graças a Deus, ela está bem, está apenas fazendo exames de acompanhamento e recuperando os machucados da queda.

Hoje, minha madrinha, a Maninha, faz 75 anos e daqui dois dias, minha tia avó, tia Amy, vai fazer o que 80? 81? O tempo passa tão rápido que a gente até esquece que nossos velhos, ou melhor, como costumo dizer, minhas 'veccias' estão de fato envelhecendo e, que por mais que na minha cabeça ainda fiquei a lembrança da minha bisavó, que faleceu em 2009, ser a pessoa 'idosa' da casa, minhas 3 senhoras estão bem senhorinhas mesmo.

Bom, passei aqui hoje para desejar um feliz aniversário à Maninha e à tia Amy (antecipadamente) e para dizer que eu amo muito minhas 3 mosquiteiras e que sinto falta de passar mais tempo com elas <3

Meu aniversário de 2012, vovó, Maninha e Amy, da esquerda para a direita.


Beijos a todos e ótima semana!
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